A Síndrome de De Quervain é uma causa frequente de dor na base do polegar e na lateral do punho. Em
muitos casos, a dor aparece ao segurar objetos, abrir potes, torcer panos, usar o celular, carregar sacolas ou
pegar uma criança no colo.
Apesar de ser conhecida popularmente como “tendinite de De Quervain”, o termo técnico mais usado é
tenossinovite de De Quervain, porque o problema envolve a inflamação dos tendões e da bainha por onde eles
passam no punho.
Neste artigo, você vai entender o que é a Síndrome de De Quervain, quais são os principais sintomas, causas,
opções de tratamento e formas de prevenir a sobrecarga dos tendões do polegar.
O que é a Síndrome de De Quervain?
A Síndrome de De Quervain é uma inflamação que acomete os tendões responsáveis por movimentos do
polegar. Esses tendões passam por uma região estreita no punho chamada primeiro compartimento extensor,
localizada próxima ao estiloide radial, na base do polegar.
Quando há inflamação ou espessamento nessa região, os tendões passam a deslizar com mais dificuldade
dentro da bainha que os envolve. Isso gera dor, sensibilidade local e limitação para tarefas simples do dia a
dia.
Os dois tendões mais envolvidos são o extensor curto do polegar e o abdutor longo do polegar.
Quais tendões são afetados?
Na Síndrome de De Quervain, os principais tendões afetados são:
• Extensor curto do polegar: auxilia o movimento de extensão do polegar.
• Abdutor longo do polegar: participa do movimento de afastar o polegar da mão.
Esses tendões passam juntos pelo primeiro compartimento extensor. Quando há inflamação, o espaço para o
deslizamento diminui, causando atrito, dor e dificuldade para movimentar o polegar e o punho.
Principais sintomas da Síndrome de De Quervain
O sintoma mais comum é a dor na base do polegar, geralmente na lateral do punho. A dor pode começar leve,
mas em alguns pacientes se torna intensa a ponto de dificultar atividades simples.
Os sintomas mais frequentes incluem:
• Dor na lateral do punho, próxima ao polegar;
• Dor ao movimentar o polegar;
• Piora ao pegar peso, segurar objetos ou fazer força de pinça;
• Sensibilidade ao toque sobre o estiloide radial;
• Inchaço local;
• Sensação de atrito, estalo ou travamento em alguns casos;
• Dificuldade para abrir potes, torcer roupas, digitar ou usar o celular.
A dor também pode irradiar para o polegar ou para o antebraço, principalmente quando o paciente continua
fazendo movimentos que sobrecarregam a região.
O que causa a Síndrome de De Quervain?
A causa costuma estar relacionada à sobrecarga dos tendões do polegar. Movimentos repetitivos, força de
pinça, torções do punho e atividades que exigem uso frequente do polegar podem irritar a bainha tendínea.
Alguns fatores associados são:
• Uso excessivo do celular;
• Digitação e uso prolongado de mouse;
• Atividades manuais repetitivas;
• Trabalho doméstico;
• Cuidado com bebês pequenos;
• Esportes com uso intenso das mãos;
• Atividades profissionais que exigem força de preensão;
• Alterações hormonais, especialmente no período gestacional e pós-parto.
É comum a condição aparecer em pessoas que carregam bebês no colo com frequência, principalmente
quando fazem força com o polegar aberto e o punho desviado. Por isso, a Síndrome de De Quervain é
bastante lembrada no contexto de dor no punho após a gestação ou durante a amamentação.
Dor na base do polegar é sempre De Quervain?
Não. Embora a Síndrome de De Quervain seja uma causa comum de dor na base do polegar e no punho,
existem outras condições que podem causar sintomas parecidos.
Entre os diagnósticos diferenciais estão:
• Rizartrose, que é a artrose da base do polegar;
• Lesões ligamentares do punho;
• Tendinites de outros compartimentos;
• Cistos sinoviais;
• Compressões nervosas;
• Sequelas de trauma;
• Inflamações articulares.
Por isso, a avaliação com um especialista em mão é importante para confirmar o diagnóstico e indicar o
tratamento mais adequado.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da Síndrome de De Quervain é principalmente clínico, ou seja, baseado na história do paciente
e no exame físico.
Durante a consulta, o médico avalia:
• Local exato da dor;
• Tempo de evolução dos sintomas;
• Atividades que pioram a dor;
• Presença de inchaço;
• Sensibilidade sobre o primeiro compartimento extensor;
• Mobilidade do polegar e do punho;
• Testes provocativos específicos.
Um dos testes mais conhecidos é o teste de Finkelstein, usado para reproduzir a dor típica da tenossinovite de
De Quervain. Em alguns casos, exames de imagem, como ultrassonografia ou radiografia, podem ser
solicitados para avaliar os tendões ou descartar outras causas de dor.
Tratamento da Síndrome de De Quervain
O tratamento depende da intensidade dos sintomas, do tempo de evolução, das atividades do paciente e da
resposta às medidas iniciais. Na maioria dos casos, o tratamento começa de forma conservadora, sem
cirurgia.
1. Ajuste de atividades
A primeira medida costuma ser reduzir ou adaptar os movimentos que pioram a dor. Isso não significa deixar
de usar a mão completamente, mas evitar esforços repetitivos, torções do punho e movimentos de pinça com
carga.
Pequenas mudanças na rotina podem ajudar bastante, como alternar as mãos, evitar carregar peso com o
polegar aberto, ajustar a ergonomia no trabalho e reduzir movimentos repetitivos no celular.
2. Uso da tala
A tala para De Quervain geralmente imobiliza o polegar e parte do punho, ajudando a diminuir o atrito dos
tendões inflamados dentro do primeiro compartimento extensor.
Ela pode ser indicada por um período determinado, especialmente nas fases de maior dor. O uso incorreto ou
prolongado sem orientação pode gerar rigidez ou desconforto, por isso o ideal é que seja indicada conforme o
caso.
3. Medicações e medidas anti-inflamatórias
Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser utilizados em alguns casos para controle da dor, sempre
considerando as condições clínicas de cada paciente e a orientação médica.
Compressas, repouso relativo e terapia da mão também podem fazer parte do tratamento.
4. Fisioterapia e terapia da mão
A reabilitação pode ajudar na redução da dor, melhora da mobilidade e retorno gradual às atividades. O
trabalho pode envolver controle de carga, alongamentos específicos, fortalecimento progressivo, orientações
ergonômicas e treino funcional.
5. Infiltração
Quando a dor persiste ou é mais intensa, uma opção é a infiltração com corticosteroide na região do primeiro
compartimento extensor. Em muitos casos, a infiltração pode reduzir a inflamação e evitar a necessidade de
cirurgia.
A indicação deve ser individualizada, considerando tempo de sintomas, intensidade da dor, anatomia local e
tratamentos já realizados.
Quando a cirurgia é indicada?
A cirurgia para Síndrome de De Quervain é indicada principalmente nos casos em que o tratamento
conservador não resolve os sintomas ou quando há recidiva importante apesar das medidas adequadas.
O procedimento consiste na liberação do primeiro compartimento extensor, criando mais espaço para os
tendões deslizarem sem atrito. Em geral, é uma cirurgia realizada por um cirurgião da mão, com técnica
cuidadosa para proteger estruturas próximas, como ramos sensitivos do nervo radial.
A recuperação varia conforme o caso, mas costuma envolver cuidados com a ferida, controle de edema,
mobilização progressiva e retorno gradual às atividades.
Como prevenir a Síndrome de De Quervain?
Nem sempre é possível prevenir completamente, mas algumas medidas ajudam a reduzir a sobrecarga na
região do polegar e do punho:
• Evitar movimentos repetitivos por longos períodos;
• Fazer pausas durante atividades manuais;
• Reduzir força excessiva de pinça;
• Ajustar a forma de segurar o celular;
• Alternar as mãos nas tarefas;
• Evitar carregar peso com o punho desviado;
• Usar técnicas adequadas para pegar bebês no colo;
• Fortalecer gradualmente a musculatura, quando indicado;
• Procurar avaliação se a dor persistir.
A prevenção é especialmente importante para pessoas que trabalham com as mãos, praticam esportes de
raquete, fazem musculação, cuidam de bebês ou passam muitas horas usando celular e computador.
Quando procurar um especialista em mão?
Procure avaliação médica se a dor na base do polegar:
• Persiste por mais de alguns dias;
• Piora progressivamente;
• Dificulta atividades do dia a dia;
• Vem acompanhada de inchaço;
• Atrapalha o trabalho;
• Não melhora com repouso relativo;
• Retorna com frequência;
• Surgiu após trauma;
• Está associada a perda de força ou limitação importante.
O diagnóstico precoce permite tratar a inflamação antes que o quadro se torne mais limitante.
Síndrome de De Quervain tem cura?
Sim. A maioria dos pacientes melhora com tratamento adequado. Em casos leves, ajustes de atividade, tala e
reabilitação podem ser suficientes. Em casos persistentes, a infiltração pode trazer alívio importante. Quando o
quadro não melhora com tratamento conservador, a cirurgia costuma ter bons resultados quando bem
indicada.
O mais importante é identificar corretamente a causa da dor e escolher o tratamento mais adequado para cada
paciente.
Conclusão
A Síndrome de De Quervain é uma causa frequente de dor na base do polegar e na lateral do punho. Ela
ocorre pela inflamação dos tendões extensor curto do polegar e abdutor longo do polegar, que passam pelo
primeiro compartimento extensor.
Embora possa limitar bastante as atividades do dia a dia, existem boas opções de tratamento, desde medidas
conservadoras até infiltração e cirurgia nos casos persistentes.
Se você sente dor ao movimentar o polegar, pegar objetos, usar o celular ou carregar peso, uma avaliação
com especialista em mão pode ajudar a confirmar o diagnóstico e orientar o melhor tratamento.
FAQ – Perguntas frequentes sobre Rizartrose
Síndrome de De Quervain é a mesma coisa que tendinite?
O termo popular “tendinite de De Quervain” é muito usado, mas o nome técnico mais adequado é tenossinovite
de De Quervain, porque o problema envolve a bainha por onde passam os tendões do polegar.
Qual é o principal sintoma?
O principal sintoma é dor na lateral do punho, próxima à base do polegar, especialmente ao pegar objetos,
fazer força de pinça ou movimentar o punho.
Celular pode causar De Quervain?
O uso repetitivo do polegar no celular pode contribuir para sobrecarga dos tendões, principalmente se
associado a longos períodos de uso, força de pinça ou postura inadequada do punho.
Precisa fazer cirurgia?
Nem sempre. A maioria dos casos começa com tratamento conservador. A cirurgia é reservada para casos
persistentes, recorrentes ou que não melhoram com medidas adequadas.
Qual médico trata Síndrome de De Quervain?
O especialista mais indicado é o ortopedista com atuação em cirurgia da mão, principalmente quando há dor
persistente, dúvida diagnóstica ou falha do tratamento inicial.





